segunda-feira, 2 de julho de 2012

AS OUTRAS DUAS APOSTAS: “LAR” e “CENTRO DE DIA”


Há pouco tempo demos a conhecer uma das três valências que o Abrigo tem vindo a assegurar, e continuará a tentar manter, para proporcionar o nível de qualidade de vida que os trabalhadores idosos do nosso concelho bem merecem. Assim, e depois do “Apoio Domiciliário”, vamos agora referir-nos às outras duas respostas sociais que igualmente merecem a nossa melhor atenção.


LAR

É aqui que, a tempo inteiro, a Associação Protectora do Abrigo dos Velhos Trabalhadores presta todos os cuidados a pessoas idosas de ambos os sexos, naturais do concelho ou aqui residentes, em situação de maior risco de perda de independência e/ou autonomia, procurando facultar-lhes um ambiente saudável de convívio e participação.

Actualmente com a capacidade para alojar permanentemente 88 utentes completamente esgotada, e com extensa lista de espera, nesta vertente prestam-se os seguintes cuidados:
- Alojamento; 
- Alimentação; 
- Cuidados de higiene pessoal e de habitação; 
- Serviços médicos e de enfermagem; 
- Animação cultural e recreativa; 
- Actividades de estimulação física em ginásio; 
- Acompanhamento em situações de emergência; 
- Tratamento de roupas; 
- Serviços de barbeiro e cabeleireira; 
- Participação nas várias actividades diárias da Instituição e outras acções, tais como passeios, visitas culturais, festas de aniversário, intercâmbios com outras IPSS, etc.

Pretende-se assim, e sobretudo:
- Garantir o bem-estar, a qualidade de vida e a segurança dos utentes;
- Potenciar a integração social e estimular o espírito de solidariedade por parte dos utentes e seus agregados familiares;
- Contribuir para a estabilização ou retardamento do processo de envelhecimento;
- Criar condições que permitam preservar a sociabilidade e incentivar a relação interfamiliar e intergeracional.

Temos consciência de que muitas mais pessoas carenciadas teriam todo o direito de usufruir destes serviços, mas infelizmente não temos capacidade para mais alojamentos.


CENTRO DE DIA


Entretanto, e para além do já anteriormente referido “Apoio Domiciliário”, uma terceira resposta social pode ser prestada a quem dela precise.

Falamos, naturalmente, do “CENTRO DE DIA”, que consiste essencialmente na prestação de um conjunto de serviços que visam contribuir para o não afastamento completo dos idosos do seu ambiente sócio-familiar, ao mesmo tempo que são satisfeitas as suas necessidades básicas.

Se sente necessidade deste tipo de apoio, contacte-nos pessoalmente ou pelo telefone 266899760. Não lhe podemos dar antecipadamente qualquer garantia, mas pode contar, isso sim, com a nossa melhor boa vontade para tentarmos dar solução ao seu problema.

Tal como a própria designação indica, os utentes deste serviço de acolhimento estão durante o dia no Abrigo e ser-lhes-ão dispensados os seguintes cuidados:
- Alimentação;
- Cuidados de higiene pessoal; 
- Serviços médicos (desde que o utente seja, no Centro de Saúde, doente do médico da Instituição); 
- Serviços de enfermagem; 
- Animação cultural e recreativa; 
- Actividades de estimulação física em ginásio; 
- Tratamento de roupas; 
- Serviços de barbeiro e cabeleireira; 
- Serviço de transportes (dentro da cidade de Montemor-o-Novo); 
- Um ambiente saudável, de convívio e participação;
- e a disponibilização de cacifo próprio, fechado, destinado à guarda de objectos pessoais.  

Não estão incluídos nesta valência o acompanhamento em deslocações a hospitais, a consultas médicas ou a meios auxiliares de diagnóstico ou outros exames.

Como bem sabemos, nada substitui a nossa casa, onde deveria ser possível manter-nos até ao fim dos nossos dias. Contudo, há situações em que isso não é possível e, portanto, tentamos, dentro das nossas possibilidades, compensar de algum modo a ausência do seio familiar.




sexta-feira, 22 de junho de 2012

REQUALIFICAÇÃO DAS INSTALAÇÕES


ABRIGO MAIS FUNCIONAL

No passado mês de Março iniciaram-se importantes obras de beneficiação e requalificação das instalações do Abrigo.

Estas obras resultaram de uma candidatura, já aprovada pelo INALENTEJO, no âmbito do QREN, que surgiu integrado no Programa de Acção “Montemor Pedra a Pedra”, desenvolvido pela Câmara Municipal de Montemor-o-Novo com a qual foi estabelecido um protocolo de parceria.

O montante do investimento é de € 485.499,38, sendo a comparticipação financeira do FEDER de € 388.399,50, o que corresponde a 80% do total. A parte suportada pelo Abrigo será, então, dos restantes 20%, isto é, € 97.099,88.


Apesar de tudo, o montante sob a responsabilidade do Abrigo é, na actual conjuntura, muito elevado, pelo que serão bem-vindas quaisquer dádivas que ajudem a minimizar o encargo.


A presente intervenção, que em princípio se prevê estar concluída a 30 de Setembro mas que, mesmo nas mais adversas circunstâncias, nunca poderá ir para além do final do ano, contempla a construção de duas casas de banho por cada camarata, a construção de casas de banho na zona dos apartamentos, a construção de uma casa de banho de apoio ao Posto Médico e a transferência, para outro local, da barbearia/cabeleireiro a fim de possibilitar a construção de balneários para as colaboradoras.


Todos nós sabemos o que representa, em termos de incómodos de vária ordem, a presença de pedreiros em casa. Mas, como também reconhecemos, esse desconforto temporário e inevitável é depois largamente compensado pelos melhoramentos introduzidos.



Assim, a Direcção vem apelar à maior compreensão por parte dos utentes, familiares, visitas e colaboradores para suportarem com paciência e um sorriso nos lábios este período que pode ser menos agradável mas cujo resultado final vale a pena o pequeno sacrifício.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

OS NOSSOS UTENTES


Joaquina Linguiça: Uma vida de trabalho

 “Tinha 10 anos quando comecei a trabalhar no campo”, começou por dizer a nossa figura deste mês, como início de conversa. Mas antes de continuarmos, vamos primeiro apresentá-la:


Natural de Foros de Vale Figueira, tem 80 anos, chama-se JOAQUINA MARIA LINGUIÇA e é utente do nosso “Centro de Dia”. 

E foi revelando: “Devido principalmente à doença do meu marido, que já sofria bastante e estava incapacitado há longos anos, fomos forçados a recorrer ao Abrigo como a melhor solução. Começámos a usufruir deste serviço há oito anos mas, infelizmente para ele, cinco dias depois, e quando já tinhamos regressado à nossa casa nos Foros, nessa noite sentiu-se mal, ainda foi levado para o hospital em Évora mas parece que já nada havia a fazer, tendo acabado por falecer.”

Hoje, a D. Joaquina continua no “Centro de Dia”, sempre na expectativa de um dia conseguir uma vaga no “Lar”.

Desfiando o seu rosário de recordações, D. Joaquina continuou: “A minha infância não foi fácil. Éramos oito irmãos, dos quais eu era a mais velha. O meu pai sempre foi um trabalhador rural e, portanto, apenas com o seu reduzido salário, pode-se facilmente adivinhar as carências que tinhamos de vencer todos os dias. Acresce ainda que, devido à guerra, os alimentos escassevam e  alguns deles só se conseguiam através das senhas de racionamento. Foram tempos muito difíceis, mas lá nos criámos e ainda hoje, felizmente, todos os oito irmãos estão vivos.

A nossa entrevistada, como já referimos, começou a trabalhar no campo desde tenra idade, logo depois de concluída a 3ª classe da instrução primária, que frequentou na escola dos Foros. Como faz questão de salientar, “os tempos eram difíceis e havia que ganhar para a casa. Então, primeiro eu, e pouco depois a minha irmã, que era um ano e pouco mais nova, começámos desde cedo a contribuir para o sustento da família. Mais tarde, já eu era mais crescida, o meu pai começou a sua actividade de carreiro e, aí, para além da jorna sempre pequena, lá ganhava mais 2 litros de azeite e 50 kg. de farinha por mês e um porco por ano. E as coisas começaram a compor-se um pouco mais.”

E continuou: “Fiz ao longo da vida praticamente todos os trabalhos agrícolas que, nessa altura, e sem o auxílio das máquinas que há hoje, eram duros e conseguidos pela força dos braços. Entretanto o tempo foi passando e quando já tinha os meus 20 anos casei-me com o que foi meu marido durante 52 anos – Manuel Lopes. O casamento deu três frutos: Maria Augusta, Delmira e Adriano. Os filhos foram crescendo, juntaram-se com as namoradas (ou, como então também se dizia, amigaram-se) mas todos eles se casaram formalmente mais tarde. E, como nas histórias de amor, todos são felizes, o que  me enche de alegria.”

Mas não foram apenas os trabalhos rurais que preencheram o tempo da D. Joaquina, como esclareceu:: “Toda a vida gostei de costurar. Fiz muitas rendas, trabalhos em malha e neste momento tenho estado dedicada a fazer talegos para os telemóveis, a fim de serem vendidos ou sorteados no pavilhão que o Abrigo irá ter, como habitualmente, na Feira da Luz, em Setembro. É uma forma de passar o tempo e, ao mesmo tempo, ser útil à Instituição.

D. Joaquina ainda nos disse que recorda frequentemente versos que aprendeu e decorou  há muitos anos mas que, naquele momento, a memória estava a pregar-lhe uma partida. Não faz mal; fica para uma próxima oportunidade.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

ANIVERSÁRIO DA INSTITUIÇÃO


O ABRIGO SOPROU 45 VELAS


Foi bonita a festa que assinalou, exactamente no dia de Santo António, o 45º aniversário desta instituição.

A azáfama começou logo pela manhã, com os colaboradores a alindarem o espaço e a montarem as mesas que iriam acolher as cerca de três centenas de utentes e familiares que quiseram associar-se a este evento.

Ainda faltava quase uma hora para o início das festividades e já se notava bastante movimento, com os lugares a serem rapidamente preenchidos.

As cozinheiras já tinham preparado as saladas e sob a batuta de dois especialistas em churrasco – Manuel Aldinhas e António Joaquim Falcão – os frangos e as sardinhas começavam a dourar e a lançar para o ar os cheiros característicos que despertam o apetite.


Pouco passava das 15 horas quando subiu ao improvisado palco o presidente – Joaquim Manuel Batalha – acompanhado dos restantes membros da Direcção e dos representantes das Juntas de Freguesia de N. Sra. da Vila e N. Sra. do Bispo. 


Teceu considerações sobre a vida do Abrigo, lembrou o papel importante desempenhado por todos quantos, ao longo dos anos, tornaram possível esta realidade, agradeceu aos colaboradores e voluntários que a esta causa se têm dedicado e lamentou o estado a que os responsáveis governativos deixaram chegar este país, com as asneiras e os abusos a serem agora suportados maioritariamente pela população que vive apenas do seu trabalho ou das pensões de reforma.

Já com as primeiras sardinhas a chegarem às mesas, foi a vez de um grupo de utentes do Abrigo mostrar os seus talentos. Sob a responsabilidade do animador cultural José Manuel Brejo, que escreveu o guião, representou, encenou e dirigiu os actores, foram recreadas conhecidas cenas de antigos filmes portugueses, nomeadamente o “Pátio das Cantigas”, “A Canção de Lisboa” e a “Aldeia da Roupa Branca”. 

Foram momentos de boa disposição em que todos os intervenientes se saíram a contento. Antes de terminarem a actuação ainda cantaram o “Hino do Abrigo”. Muito bem!

Logo depois exibiu-se o Grupo de Dança da ARPI de Montemor-o-Novo, que mostrou que a idade não é – não pode ser – motivo impeditivo para que cada um se dedique a qualquer manifestação artística ou cultural. Parabéns!

E o lanche continuou e foi-se prolongando até à hora do jantar, sempre com música ao vivo interpretada por Eduardo Panóias, que animou toda a tarde e entusiasmou alguns pares a meterem o pé em dança.

Durante mais de quatro horas esqueceram-se achaques e maleitas e a boa disposição era evidente nos rostos de quem assistiu e participou nas comemorações de mais um aniversário do Abrigo dos Velhos Trabalhadores de Montemor-o-Novo.


Os elementos directivos do Abrigo agradecem, de todo o coração, as ofertas para este fim, vindos de várias entidades e fornecedores, tornando assim possíveis estes momentos de alegria para os nossos utentes. Bem hajam!

E para o ano cá estaremos de novo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

APOIO DOMICILIÁRIO


É conhecida a resposta que a vertente “Apoio Domiciliário” presta, em termos de cuidados individualizados e personalizados, no domicílio de quem deles necessita.

Na verdade, trata-se de uma área onde o Abrigo também tem vindo a desempenhar um papel importante na ajuda a quem, por diversas circunstâncias ou vicissitudes, dela carece.

Os objectivos desta resposta social estão bem definidos e os responsáveis e colaboradores esforçam-se diariamente para os cumprir na íntegra.

Ainda que deva ser entendido como um serviço de apoio à família, nunca a substituindo ou ultrapassando, o Abrigo propõe-se, com esta valência:
- Contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos utentes e famílias;
- Contribuir para retardar ou evitar a institucionalização;
- Assegurar aos utentes e famílias a satisfação de necessidades básicas;
- Prestar cuidados de ordem física e apoio psicossocial, de modo a contribuir para o seu equilíbrio e bem-estar;
- Colaboração na prestação de cuidados de saúde.


     
Serviços prestados nesta resposta social:
- Alimentação;
- Tratamento de roupas;
- Higiene do Domicílio;
- Higiene Corporal.



O nosso quadro de utentes mantém-se normalmente estável e preenchido. No entanto, se quem nos lê sente necessidade deste tipo de apoio ou se souber de alguém seu familiar ou conhecido que porventura possa precisar, aconselhamos vivamente a contactar-nos, quer pessoalmente na nossa Secretaria, quer pelo telefone 266 899 760.

Pode contar com a nossa melhor receptividade e com a respectiva solução, se ela estiver, de momento, ao nosso alcance.

quinta-feira, 17 de maio de 2012

OS NOSSOS UTENTES


UMA VIDA PLENA


AUGUSTO ADRIANO PEREIRA é a nossa figura deste mês. Natural de Montemor-o-Novo, onde nasceu há 81 anos, é casado há 58 com Maria Luísa Gomes Ferreira. Desta união nasceram as meninas dos seus olhos: Maria José e Florinda.

Acedendo ao nosso convite, o amigo Augusto aceitou de bom grado revelar alguns aspectos da sua vida. 
 E começou:  “Quando ainda era um rapazote, talvez com 14/15 anos, o meu primeiro emprego foi no café do Largo Serpa Pinto (hoje Largo General Humberto Delgado). Era a Leitaria do Sr. João Taveira, mais tarde propriedade de Gabriel Nunes Coelho e mais recentemente da família Catita. Na altura, aquela zona era muito movimentada e, especialmente nas noites de verão, o largo enchia-se de gente a apanhar o fresco. O café, que só no início da sua actividade vendeu leite, haveria de ficar sempre conhecido por Leitaria.”

E continua: “Estive lá empregado mais ou menos um ano. Como andava sempre a sorrir para a clientela, fiquei conhecido como “O Risotas”. Quando saí, o meu pai, que era um excelente e bem conhecido pedreiro, puxou-me para o seu lado e comecei a dar serventia. Aproveitei os ensinamentos e fui pedreiro até à reforma.”

Paralelamente à sua actividade profissional, ou já depois de reformado, dedicou-se a várias iniciativas de carácter social. “Fui um activo sindicalista, ajudando a fundar o movimento sindical em Montemor; participei nas Comissões de Base de Saúde e pertenci à CISSL – Comissão Instaladora dos Serviços de Saúde Locais. Desenvolvi ainda outras acções que sempre tiveram por objectivo melhorar as condições de vida da população.

O Sr. Augusto recorda agora os últimos tempos: “Há cerca de 5 anos, a minha mulher adoeceu, o seu estado foi-se agravando e, a partir de determinada altura, achou-se impossibilitada de fazer a maioria das tarefas domésticas. O meu estado de saúde também começou a deteriorar-se e não tivemos outra solução senão a de mudar o curso normal das nossas vidas. Pedimos ajuda ao Abrigo. Primeiro fomos utentes do “Apoio Domiciliário”, depois frequentámos o “Centro de Dia” e, quando surgiu a oportunidade, ficámos definitivamente como residentes. Como se não bastasse já a doença que me afligia, no dia 19 de Novembro dei uma queda no ginásio e, agora, só me consigo deslocar com a ajuda de um andarilho.”

Mas durante a nossa conversa surgiu outra confissão: “Há algum tempo surgiu-me a ideia de contar mais em pormenor alguns episódios da minha vida, mas essa possibilidade estava-me vedada porque não conseguia escrever. Um dia manifestei este desejo ao José Manuel Brejo, que imediatamente se prontificou a recolher as minhas memórias e a quem, por isso, estou imensamente grato. Falei deste propósito à Direcção do Abrigo, que acolheu bem a ideia e me incentivou a ir em frente. Foi assim que, após vários meses de conversa, surgiu um pequeno livro que recebeu o título de “Estórias da Minha Vida”. Ainda que sendo uma edição limitada a vinte exemplares da minha responsabilidade, contei com o apoio da Câmara Municipal e do Abrigo dos Velhos Trabalhadores, entidades a quem dirijo o meu agradecimento.

 E, para terminar, confidenciou: “O livro não está à venda. Aqueles exemplares vão ser oferecidos a outras tantas pessoas a quem enderecei convite para estarem presentes na cerimónia de lançamento, que ocorrerá no dia 19 de Maio, pela 14,30 h. numa das salas deste Abrigo.

Foi agradável falar com o Sr. Augusto. Tem uma história de vida aparentemente igual a tantas outras; porém, com a particularidade de sempre se ter interessado pela promoção e bem-estar do seu semelhante, em geral, e dos trabalhadores, em especial.

quinta-feira, 10 de maio de 2012


NOVOS ASSOCIADOS

Não está fácil a vida para as populações nem, especialmente, para as Instituições Particulares de Solidariedade Social.

As nossas fontes de receita estão a diminuir de forma substancial, nomeadamente pelo facto dos nossos pensionistas não serem aumentados e também porque as comparticipações da Segurança Social serem mais pequenas.

Ao decréscimo das receitas corresponde, inversamente, a subida dos preços dos produtos essenciais, não só alimentares como de toda a outra ordem: água, gás, electricidade, consumíveis, enfim, todos nós sabemos exactamente o que nos custa o dia-a-dia e como, cada vez mais, as dificuldades vão crescendo.
Portanto, na nossa Instituição, em que as dificuldades são a multiplicar por muitos, torna-se difícil e complexo conduzir esta nau sem hipotecar a qualidade dos serviços que prestamos.
É evidente que são agora poucos os donativos que recebemos e, por isso, temos de conseguir aumentar as receitas. Como?

Uma das vias é aumentar substancialmente o número de associados. É um pequeníssimo esforço que pedimos a todos quantos este apelo chegar. As quotas mínimas são de 12 euros anuais para os não-reformados, e de 6 euros anuais para os reformados. Claro que se pretender subscrever quotas de valor mais elevado (não há limites para cima), a Instituição agradece.

Escreva-nos ou contacte-nos como lhe for mais conveniente ou confortável: correio, e-mail (abrigovelhostrabalhadores@gmail.com), facebook, telefone, fax, pessoalmente, enfim, como desejar. Mas faça-se sócio! Basta indicar-nos o seu nome, morada, contacto telefónico ou electrónico, valor que pretende pagar e local de cobrança.
É fácil e vai ver que dormirá com a consciência ainda mais tranquila.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

OS NOSSOS ARTISTAS


GRANDE POETA É O POVO

O Abrigo dos Velhos Trabalhadores de Montemor-o-Novo é muito mais do que o edifício que o agasalha e acomoda, 

No seu interior encontra-se o sentimento de cada um dos seus residentes e a sabedoria acumulada que advém da experiência adquirida na sua longa vida.

Durante muitos anos, a população residente no Abrigo era maioritariamente de origem rural. Por necessidade familiar, começava-se a trabalhar no campo desde tenra idade, sendo a escola um luxo a que poucos tinham acesso. Resultava daí a enorme taxa de analfabetismo que se iria manter pela vida fora.

Mas falta de instrução não significava ausência de sensibilidade e sempre se encontrou dentro do Abrigo quem desse largas à sua imaginação e talento nas mais variadas áreas artísticas.

Sempre houve, no decorrer da vida da Instituição, quem revelasse dotes de poeta, de contador de histórias ou de artesão. Alguns, com tal talento, que nos interrogamos até onde poderiam ter ido se lhes tivesse sido dada a oportunidade de aprenderem e desenvolverem, em devido tempo, as suas naturais aptidões nos diversos campos da sua preferência.

Quer com pequenas entrevistas, quer com fotografias que valham mais que mil palavras, quer com pequenos apontamentos, vamos tentar dar a conhecer alguns dos utentes que fazem parte deste universo que, lá fora, é ainda para muitos desconhecido, não obstante os convites que temos feito no sentido de nos visitarem.

A nossa figura de hoje chama-se BASILISSA SENHORINHA PERNAS, nasceu em Évora há 78 anos e cresceu com cinco irmãos mais velhos e um primo. A mãe engravidou dezasseis vezes, mas apenas deu à luz seis rebentos com vida. Os restantes, por aborto espontâneo ou acidente, nunca viram a luz do dia.
Já casada com Salvador António Batista, de quem enviuvou há cinco anos, morou no Escoural durante 18 anos e antes de ingressar no Abrigo, há 6 anos atrás, ainda viveu com o marido, uma filha, o genro e uma neta aqui em Montemor, na Rua de Avis.

Nunca andou à escola e não sabe ler nem escrever. Apenas faz de cor o seu nome, conhece algumas letras mas não as sabe juntar. No entanto, afirma que faz versos desde sempre e que tem pena de não ter conseguido salvaguardar esse manancial de poemas que criou e ditou, mas não sabe onde param. 

Excelente conversadora, a D. Basilissa possui um vocabulário rico, não obstante nunca ter frequentado a escola nem ter lido livros de qualquer espécie.
Recentemente, por altura do 25 de Abri, ditou a seguinte mensagem para um pequeno cartão editado pelo Abrigo:

“Que não se quebre a cadeia
Das mãos dadas em cordão
O vinte e cinco de Abril
Está no nosso coração! “

Há tempo ofereceu à neta Guiomar, por altura do seu aniversário, uma caixinha em prata, em forma de concha, com esta dedicatória:

“Ofereço-te esta conchinha
P´ra fechares os teus segredos
Juntos a esta aliança
Que outrora andou em meus dedos!
 
Detesta em absoluto a crítica que apenas visa a maledicência gratuita.
Sobre o tema escreveu ou, melhor dizendo, ditou estes versos:

“Quem fala da vida alheia
Não tem em Deus lugar vago,
Porque da semente da língua
Não se perde nem um bago!

Se alguém errou, e soubeste,
Não fales, fica calado,
Porque a má-língua é veneno
E morres envenenado!

A má-língua é uma praga
De todas a mais daninha,
Nem nas pedras da calçada
Se perde uma sementinha!

A língua é a maior arma
Que põe a mente confusa.
É uma seta envenenada
Que se volta a quem a usa!

Com uma memória invejável, D. Basilissa confessa que sempre gostou muito de teatro. Inclusivamente, na sua juventude, ainda em Évora, concebeu e ditou, para que ficassem escritas, ligeiras peças do género revisteiro que, inclusivamente, ela própria e outras pessoas das suas amizades representaram na Sociedade Joaquim António de Aguiar, em récitas de beneficência.

E do seu rol de recordações ainda nos revelou: “Teria eu vinte anos ou pouco mais, conheci de perto a grande Amália Rodrigues, que era visita de duas casas onde estive empregada: primeiro em Évora, na família Lopes Fernandes, e depois em Lisboa, na família Sousa Martins.

E continua: “Eu era muito alegre e estava sempre a cantar. Um dia, lá em Lisboa, Amália, da sala onde estava com as pessoas amigas, ouviu-me cantar versos da minha autoria. Ficou surpreendida, mandou-me chamar e disse-me que tinha gostado do que ouvira e que, se quisesse, poderia fazer carreira no fado. Porém, a minha mãe não esteve pelos ajustes e opôs-se terminantemente, se bem que o meu pai e o meu namorado – que mais tarde haveria de ser o meu marido – não colocassem problemas”.

Quem sabe se não terá passado ao lado de uma grande carreira artística!...

domingo, 6 de maio de 2012

O NOSSO OBJECTIVO: DAR MAIS VIDA AOS ANOS


É sabido que nenhuma instituição pode substituir o ambiente do lar familiar em que sempre se viveu e onde qualquer um de nós gostaria de passar o resto dos seus dias. Porém, circunstâncias de vária índole, umas plenamente justificáveis, outras nem tanto, obrigaram alguns idosos a ser institucionalizados. No caso particular do nosso Abrigo, todos os responsáveis, colaboradores e voluntários ao longo dos anos, têm tido, como primeira preocupação, proporcionar aos utentes o máximo de conforto e a salvaguarda do respeito que a cada um é devido e da dignidade que cada qual merece.

O Abrigo dos Velhos Trabalhadores de Montemor-o-Novo tem de ser visto não como um local onde se depositam pessoas que apenas esperam pelo acto final, mas como um lugar onde se tenta diariamente minimizar o impacto provocado pelo desenraizamento de quem foi forçado a afastar-se das suas origens pelos mais diversos motivos.

E porque pretendemos, acima de tudo, dar mais qualidade e vida aos anos, fomentamos o desenvolvimento de actividades que animem e incentivem a participação activa dos utentes.

Realizamos mensalmente o almoço dos aniversariantes, assim como, durante o ano, diversas iniciativas culturais e recreativas, tais como as festas de Natal, Carnaval, Páscoa, Baile da Pinha, aniversário da Instituição e outras que voluntários e animadores culturais nos ajudam a desenvolver.

Fazemos ainda, regularmente, deslocações locais, nomeadamente ao Castelo, à Ermida da Sra. da Visitação, aos Supermercados, etc.. É também já é tradição deslocarmos anualmente um grupo, de umas duas dezenas de utentes, a uma Colónia de Férias no Algarve, com uma permanência de oito dias.

Na quadra do Natal, estimulamos a exposição-venda, nas nossas instalações, de produtos artesanais saídos das mãos dos nossos utentes e temos sido presença constante, com um pavilhão, na Feira da Luz, em Setembro de cada ano.


Enfim, é propósito de todos nós continuarmos a prestar um serviço de qualidade para que os nossos idosos não sintam tanto a tristeza da solidão.