sexta-feira, 28 de agosto de 2015

OS NOSSOS UTENTES

MIRALDINA DE JESUS CANTANHEDE PARRULAS

Agosto, mês de férias mas também propício a conversas amenas recordando fases de um passado iniciado em anos já longínquos.

A nossa entrevistada de hoje lembra o que foram alguns momentos marcantes dos seus 79 anos de vida (fará 80 primaveras em Outubro próximo), sessenta e um dos quais ao lado do seu marido – Salvador José Parrulas.


“É verdade, tinha eu exactamente 18 anos quando me casei com o meu amor de sempre. Ele era mais velho do que eu, tinha então 28 anos. Desta união nasceu um filho – Custódio Salvador Cantanhede Parrulas, actualmente com 59 anos e a residir na Quinta do Conde.”

Mas vamos começar pelo princípio, como aliás devem iniciar-se todas as histórias:
“Nasci no Monte da Maia, S. Mateus. Os meus pais tiveram muitos filhos, mais concretamente doze, dos quais apenas oito estiveram vivos ao mesmo tempo. Porque a família era grande e os proveitos do meu pai, como trabalhador rural, eram manifestamente pequenos, a minha avó materna levou-me para a sua casa, ali bem perto de onde moravam os meus pais. Teria eu cerca de 9 anos, manifestei a intenção de regressar à casa paterna, que por essa altura já se situava na Courela das Tornas, ali para os lados de Safira. Quando tornei efectiva essa vontade, dizia-me a minha avó, muito chorosa: ‘queres regressar para ir ajudar os teus irmãos a passarem fome ?’  Mas eu não quis saber e fui mesmo.”

Concretizado esse desejo, o que foi então fazer para casa?

“Sendo eu a mais velha dos irmãos, fiquei desde logo com a incumbência de tomar conta deles para que a minha mãe pudesse ir trabalhar.”

E durante quanto tempo durou essa situação?

“Ainda que contra a vontade do meu pai, por essa altura era obrigatório irmos à escola, pelo que tive de ir, e todos os dias me deslocava, acompanhada de outras crianças da mesma zona de Safira, para S. Gens, que era onde recebíamos as aulas. Íamos a pé, regra geral por veredas, e normalmente demorávamos mais de hora e meia no percurso. De Inverno, quando chegávamos à escola íamos todos molhados. No primeiro ano, com a D. Anica, fiz a primeira classe da instrução primária. No segundo ano consegui fazer a 2ª e a 3ª classes com a D. Leonor. Contra a vontade desta professora, por ali ficaram os meus estudos, porque a escolaridade apenas era obrigatória até à terceira classe e, entretanto, os meus pais precisavam de mim em casa. Já teria perto de quarenta anos, depois do 25 de Abril, quando fiz o exame da 4ª classe na Escola Primária S. João de Deus.”

Mas voltemos à infância…
“Com doze anos comecei a labutar no campo e o meu primeiro trabalho foi ceifar. A partir daí foi só continuar a fazer os trabalhos agrícolas, até à idade de 55 anos, altura em que tive de parar por motivos de doença.”

E quando é que conheceu o que haveria de ser o seu marido?
“Eu tinha 15 anos quando iniciámos o namoro e ele era dez anos mais velho. O Salvador era meu vizinho e o meu pai olhava com bons olhos o namoro, porque achava que ele era bom rapaz e trabalhador.”
Quer dizer, portanto, que nesse aspecto tudo caminhava bem …
“Não foi bem assim. Mais tarde, o meu pai veio a saber que o Salvador era muito namoradeiro e que, ao mesmo tempo, namorava outras raparigas. Não gostou dessa atitude e chamou-me a atenção que sendo ele assim, se calhar era porque não gostava muito de mim.”

A assistir agora à nossa conversa estava o marido, que pediu licença para interromper para confessar o seguinte: “É verdade que eu ia namorando outras ao mesmo tempo, mas desta é que eu realmente gostava e, portanto, foi com a Miraldina que casei.” 

Esclarecido este importante pormenor a conversa prosseguiu com a D. Miraldina: 
“Casámos em 1953 e fomos morar para o Monte do Marco, também perto da Maia. O meu marido era pedreiro e eu continuei a trabalhar no campo. Em 1969 mudámo-nos para o Bairro de S. Pedro, aqui em Montemor, onde residimos durante quarenta e cinco anos. Porém, no ano passado o meu marido foi vítima de um AVC e ficou incapacitado, pelo que deu entrada no Abrigo, em Outubro, onde se encontra como residente.

Foi um enorme revés na vossa vida.
“Realmente foi. E, como se isso não bastasse, também eu fui operada à coluna e fiquei impedida de fazer alguns trabalhos que me exigiam mais esforço. Fui morar para uma casa que o meu filho possui aqui na cidade e fiquei, desde então, a receber ajuda também do Abrigo na Valência de “Centro de Dia”. No meio de termos passado pelos azares da doença, foi uma sorte termos conseguido estes apoios, porque somos muito bem tratados.”

Apesar de saber ler e escrever, a D. Miraldina não gosta muito de leituras, ficando-se pelos títulos dos jornais. Também ainda não foi conquistada para fazer parte do grupo coral ou do grupo cénico. Pode ser que um dia ainda se decida. Vai ver que gosta.


sexta-feira, 24 de julho de 2015

OS NOSSOS UTENTES

JOSÉ SIMÕES DOS SANTOS

A história do nosso entrevistado deste mês, mais do que uma pequena conversa, dava um longo filme, tais foram as peripécias, aventuras e desventuras que conheceu ao longo da vida.


Mas vamos dar-lhe a palavra:

“Nasci há 86 anos no Ciborro, mas era muito novo quando a família foi morar para Coruche. Quando tinha 12 ou 13 anos, já com a 4ª classe, faleceu o meu pai, que na altura contava apenas trinta e poucos anos. Apesar de se tratar de um casal jovem, a minha mãe viu-se viúva e com seis filhos, dos quais eu era o mais velho.”

Foi, portanto, uma enorme e inesperada tragédia que alterou completamente a vida familiar.

“Como se compreende, foram tempos difíceis. Tivemos no entanto a felicidade de ser acolhidos, aqui em Montemor, na casa do meu tio José Bento, cuja esposa era irmã da minha mãe. O meu tio, como se deve recordar, era o chefe da central eléctrica, tendo falecido anos depois, electrocutado, no seu posto de trabalho. Pois foi na sua casa que morámos algum tempo. Como eu era o mais velho dos irmãos, empreguei-me na oficina Magina. Teria já dezasseis ou dezassete anos, já morávamos na Ruinha, fui para empregado de mesa no Bar Alentejano, onde tinha como patrão o sr. Manuel Dias Moita, que mais tarde haveria de ser meu cunhado. Neste estabelecimento fui colega de António Leonardo Correia, mais conhecido por Espanhol, que depois esteve no Café Almansor e alguns anos mais tarde emigrou para os Estados Unidos, onde penso que ainda se encontra. Aqui no Bar Alentejano aconteceu-me uma coisa curiosa: como o movimento do café não justificava dois empregados, dispus-me a ceder o lugar ao António e fui à procura de outra vida.”

E foi o que na realidade aconteceu …

Com os meus dezassete ou dezoito anos comecei a negociar em lenhas, carvões e no que me ia aparecendo. Ao mesmo tempo trabalhava na estação de serviço do sr. Laurentino dos Reis, de onde me ficaram umas luzes sobre a forma de lidar com alguns dos problemas que surgiam nos automóveis. Quando chegou a altura, lá fui à inspecção militar e está claro que fiquei imediatamente apurado, já que tinha um corpo bem desenvolvido.

Portanto foi para a tropa, como não podia deixar de ser …

“Claro que acabei por ir, mas não sem antes ter havido um pequeno incidente, como vou contar. Quando saíram os editais, vi que tinha de me apresentar em determinado dia no quartel de Artilharia Um, em Évora. Porém, como a vontade de ir não era muita, “esqueci-me” de ir apanhar o comboio. Dias depois, e porque me foram chamando à razão de que aquilo não era para brincadeiras, resolvi ir apresentar-me. Disse que tinha estado doente e a coisa não teve consequências de maior. Depois, e como soubessem que eu já ia percebendo alguma coisa de carros, mandaram-me tirar a carta e quando passei a pronto fiquei como segundo motorista do carro do comandante, Major Marino.

E a vida militar decorreu sem mais quaisquer problemas. Certo?

“Não foi bem assim. O pior ainda estava para vir: O nosso comandante gostava bastante de futebol e um dia, ele e mais um capitão, quiseram vir ver um jogo a Montemor, salvo erro entre duas equipas de militares. Como eu não gostava de bola, fui deixá-los junto ao estádio e, como sabia quando é que o jogo acabava, fui ter com o meu amigo Rui “maneta”, que sabia ir encontrar na Laranjinha. Eu tinha o tempo bem contado, mas eles se calhar não gostaram do jogo ou do resultado e decidiram sair mais cedo. Tramaram-me. Pegaram no carro e foram-se embora para Évora. Quando cheguei ao local onde tinha deixado o Ford com capota de lona e não o vi, fiquei aflito. Entretanto o jogo acabou e um sargento viu-me, contou-me o que tinha acontecido, e aconselhou-me que o melhor era eu ir com ele porque, de contrário, estava metido numa camisa de onze varas.
E o amigo José assim fez…

“Claro que fui, pois, mas receando o que me poderia acontecer. Não evitei o castigo, ainda assim bem leve: estive impedido de sair do quartel durante quinze dias. Do mal, o menos.”

Por fim, lá chegou a hora da desmobilização…

“Quando me livrei da tropa comprei um camião de 10 toneladas e comecei a fazer transportes, ao mesmo tempo que ia fazendo os meus negócios. Porque eu pensei: anteriormente, quando comprava e depois vendia as lenhas, os carvões ou outros produtos, havia que recorrer aos serviços de um camionista. Se fosse eu a fazer os transportes, era mais esse dinheiro que ganhava. E foi assim o resto da minha vida. Cheguei a ter 3 camiões ao mesmo tempo. Já, então, vivia no Escoural. Lá conheci a minha mulher – Constança Rosa Baptista – que me deu um filho e uma filha e com quem estou casado há perto de sessenta anos.”

Os anos foram passando, foi vencendo os problemas que sempre surgem, até que chega o dia em que se tem de parar.

“Fui sempre marcado em cima pelas brigadas de trânsito. Até parece que adivinhavam por onde eu iria passar. Por isto ou por aquilo arranjavam sempre maneira de me multar. Umas vezes com razão mas outras sem ela. Mas enfim… lá fui andando até que há uns anos, perto de S. Mateus, o camião entrou em derrapagem devido a uma quantidade de areia que estava na estrada e o veículo foi embater violentamente num sobreiro. O meu ajudante infelizmente faleceu e eu voei da cabine e fiquei sentado na estrada. Quem primeiro chegou ao pé de mim foi o nosso conhecido Simão Comenda. Isto aconteceu há perto de vinte anos, mas eu nunca mais fiquei o mesmo. Estive várias vezes hospitalizado e a situação foi-se agravando. Problemas na coluna, na bacia e nas pernas foram-me impedindo cada vez mais de ter uma vida normal, até ao dia em que me vi preso a uma cadeira de rodas, que é actualmente o meu único meio de locomoção.

O Sr. José Simões dos Santos está como residente no Abrigo desde Fevereiro deste ano, enquanto que a sua Esposa continua a viver no Escoural, na casa onde o casal morava. Felicidades para ambos, com os nossos melhores votos de significativas melhoras.

         

segunda-feira, 29 de junho de 2015

OS NOSSOS UTENTES


PALMIRA  ROSA

Quando uma qualquer instituição celebra o centenário da sua fundação, esse facto é justamente assinalado dada a sua raridade. Porém, quando é uma pessoa a chegar a tão respeitável idade, ainda existem mais motivos a justificar uma referência a quem atingiu essa meta que só poucos conseguem alcançar.

Mas a nossa entrevistada deste mês, PALMIRA ROSA ou PALMIRA ROSA SIMÕES, fez mais: No dia 28 deste mês de Junho de 2015 celebrou exatamente 101 anos de vida, plena, não obstante ter conhecido uma existência de sacrifícios, renúncias, abnegação e trabalho, muito trabalho.


A sua memória já não é o que era e, portanto, foi a sua filha Liberdade que nos foi ajudando a preencher algumas lacunas de uma história que já vai longa.

“Comecei a trabalhar ainda em criança, porque éramos oito irmãos e a comida era pouca para tanta boca. Da apanha da azeitona, à monda, à ceifa e de outros trabalhos rurais, de tudo um pouco eu fiz. Depois de casada até pedra parti.”

Com 17 anos juntou-se com o seu homem de sempre, Salvador José Simões, mas só uns anos mais tarde casou civilmente. O seu marido, que era cabouqueiro, já faleceu há bastantes anos.

“Trabalhei no campo até aos 40/50 anos e só por esta idade comecei a percorrer as ruas da então vila, com uma carrocinha, puxada por um burro, um macho ou uma mula, a recolher em latões as sobras que as famílias e os restaurantes  me iam dando, para alimentar os porcos que tínhamos num chiqueiro perto da ribeira, mais ou menos por baixo da ponte de ferro. Chegámos a ter e a engordar mais de 20 animais. Já era casada e já tinham nascido os meus três filhos  - Martinho, Florinda e Liberdade.”

Destas suas deambulações com a carroça, tem umas histórias para contar: 
“Devo ter a minha fotografia espalhada pelos quatro cantos do mundo. Sempre que passava por turistas, sobretudo estrangeiros, logo me solicitavam que me deixasse fotografar. Alguns até me pediam o meu chapéu, que colocavam na cabeça do burro”

Mas as histórias não ficam por aqui:
“Nestas minhas andanças tinha como companheiro e ajudante um cãozinho chamado “Faísca”. Era um animal inteligentíssimo. Quando eu tinha de deixar a carroça sozinha para ir recolher as sobras, bastava dizer-lhe para ele ficar de guarda e eu abalava descansada. Uma vez, fui à lenha para os lados do Raimundo. Andava por ali uma manada de touros e um deles quis atacar-me. De imediato chamei o “Faísca”, dei-lhe ordem para me proteger e o cão agarrou-se ao rabo do animal e este foi forçado a voltar para trás. Dei-lhe ordem para regressar, ele subiu para a carroça e lá fomos à nossa vida. Que saudades eu tenho do meu Faísca.”

 Mas nem todas foram histórias interessantes:
“Já deveria ter cerca de cinquenta anos, andei a coser os rasgões das sacas do carvão e, quando chegavam os homens para encher as sacas e depois carregá-las para as camionetas ou tractores, era eu mesma que “dava carga”, passando-me pelas costas sacas que chegavam a pesar cem quilos.”

Foi sempre uma luta constante para ganhar a vida:
Trabalhei muito. Em determinadas alturas, para ajudar a suportar as despesas, ia com a minha filha Liberdade e com os meus dois netos, a diversas albufeiras e ribeiros apanhar “verdemãs”, que depois vendíamos a dez tostões cada. Apanhávamos centenas, mas corríamos grandes riscos, porque muitas vezes tínhamos de entrar pela água dentro e eu já não era propriamente uma jovem.”

Os anos foram passando e…
“As circunstâncias levaram-me a entrar para o Abrigo e tive a sorte de entrar como residente. Morava com a minha filha Florinda, de 80 anos, no Beco dos Pelomes, ali para os lados das Fontaínhas. Claro que era uma situação insustentável e vi-me forçada a recorrer a esta solução. Mas estou agora preocupada com o problema da minha filha, que já não está em condições de viver sozinha. Vamos ver se num futuro próximo surge uma vaga, quer para o Lar, quer para o Centro de Dia, quer para o Apoio Domiciliário.”

Foi um prazer falar com a D. Palmira.
Oxalá que o seu mais recente problema se resolva em breve.

terça-feira, 23 de junho de 2015

48º ANIVERSÁRIO DO ABRIGO DOS VELHOS TRABALHADORES

E as primaveras são já 48



O mês de Junho é, por excelência, um mês apetecível para a realização dos mais variados eventos. São as festividades religiosas e profanas, são os mais diversos espectáculos de música e de teatro, são os arraiais dos santos populares a marcarem o quotidiano das populações. E raro é o dia em que não se celebre, comemore ou registe qualquer acontecimento ou efeméride.

Também o Abrigo dos Velhos Trabalhadores de Montemor-o-Novo, se associa a esta onda de alegria, pois é exactamente a 13 de Junho que festeja o seu aniversário, enquanto instituição com esta denominação. E a data foi assinalada com um programa aliciante que preencheu toda a tarde de quinta-feira para os utentes, familiares, colaboradores(as), membros directivos e convidados. E como 48 anos são já um marco assinalável, mereceram uma festa, simples mas feita com o coração.

Logo após a recepção dos convidados teve lugar, por questões logísticas, a actuação da Tuna da Universidade Sénior do Grupo dos Amigos de Montemor, que apresentou, com a qualidade habitual, alguns números do seu vasto reportório.
Seguiram-se depois os discursos. 

O Presidente da Direcção – Henrique Pinto de Sá de Carvalho; a Presidência da Câmara – Hortênsia Menino e o Presidente da União de Freguesias – António José Danado, teceram considerações sobre a vida da Associação, o seu papel no quotidiano de muitos montemorenses, e a data que se celebrava.



Depois foi a vez do teatro, com o Grupo de Utentes do Abrigo dos Velhos Trabalhadores.
Com o título “A (in)justiça das Profissões”, pretendeu o texto, da autoria de José Manuel Brejo, que também dirigiu os actores, mostrar como as profissões já extintas, ou em vias de seguirem o mesmo caminho, foram injustiçadas ao longo dos anos. E mais: de uma forma leve, bem humorada e com ironia, mostrava-se como os profissionais dessas antigas profissões foram, e são, ignorados e quando a necessidade os obrigava a ultrapassar a lei, eram julgados e condenados. Enquanto isso, outros figurões que roubam milhões, passam incólumes perante a justiça e ainda são respeitados. Aliás, a ideia surgiu de uma quadra que alguém disse quando se estava a delinear o que seria o tema deste ano. Diz assim:

O rico rouba a quem quer
Sem ter fama de ladrão.
O pobre rouba com fome,
É preso e vai p’rá prisão.

Com guarda-roupa de Céu Mestrinho, aqui se registam as personagens e respectivos actores/actrizes:

Juiz – Leopoldo José Gomes
Advogada de Defesa: Otília Brejo
Advogada de Acusação: Angelina Merendeira
Escrivão: António Lopes
Guarda: Francisco Tira-Picos
Enfermeira auxiliar: Maria Narcisa
Trabalhadora rural: Joaquina Adelaide

Lavadeira: Albina da Visitação
Sapateiro: Joaquim da Cabrela
Taberneiro: Salvador Boleto
Engraxador: Joaquim Martins
Criada de servir: Mariana Salgueiro
Latoeiro: José Grulha
Costureira: Basilissa Pernas

Seguiu-se a actuação do Grupo Coral Cant’Abrigo, composto por utentes do Abrigo, cujos cantores e cantoras, sob a batuta do maestro André Banha, interpretaram vários temas da música tradicional portuguesa. Concluíram com o hino da instituição.
O vasto auditório não regateou aplausos a todos os grupos intervenientes, cujas actuações mereceram os mais rasgados elogios.

E seguiu-se, como já se adivinhava pelo cheiro, o abundante lanche-ajantarado composto pelas inevitáveis e aguardadas sardinhas, pelos frangos e entrecosto, que as colaboradoras iam servindo ao longo das mesas dispostas no recinto da festa. Para acompanhar os acepipes, não faltaram os sumos e, para quem não estava de dieta, uma fresquinha sangria. No final foi servido um doce e uma fatia do tradicional bolo de anos.


A Direcção agradece, em nome dos utentes, a todos os colaboradores(as), voluntários(as), entidades, empresas e particulares que tornaram possível esta festa.
A tarde teve ainda a animação do excelente músico e vocalista Nelson Teles, que pôs muita gente a dar ao pé.
Até para o ano !




quarta-feira, 20 de maio de 2015

OS NOSSOS UTENTES


MARIANA VILALVA CASIMIRO SALGUEIRO

Depois de um breve interregno para recuperar energias, regressamos hoje às conversas periódicas com os nossos utentes.
Para este mês convidámos a D. Mariana Salgueiro, figura bem conhecida, que usufrui actualmente do acompanhamento do “Centro de Dia”, depois de ter sido assistida durante algum tempo no “Apoio Domiciliário”.
Ouçamos então o que tem para nos dizer:

“Nasci no Vimieiro e completei no passado mês de Abril a idade de 88 anos. Sou casada com João Luís Salgueiro e tenho três filhos, uma rapariga e dois rapazes. O meu pai era 2º Sargento-Músico no Regimento de Infantaria 16, em Évora, o que nos levou a deslocar-nos para aquela cidade. Se bem me lembro, teria então uns 10 ou 12 anos. Por diversas circunstâncias, só mais tarde, já fora da idade normal de escolaridade, consegui fazer a 4ª classe.”




Mas mudaram várias vezes de residência, como nos disse:

“O meu pai gostava de conhecer novas terras, novas gentes e, então, quando achava oportuno pedia transferência para outras cidades onde houvesse quartéis e pudesse, portanto, exercer a sua actividade enquanto músico militar. A memória já me vai faltando, mas lembro-me perfeitamente de termos estado nas Caldas da Rainha.”

Os anos foram passando e a vida da D. Mariana conheceu uma nova faceta:

Em determinada altura vim a Montemor conhecer uma tia que cá tinha. Era costureira, morada ali para os lados da Rua Curvo Semedo e era casada com o antigo guarda-rios José Abrantes. No primeiro andar da casa era onde a minha tia trabalhava e tinha sempre lá raparigas que andavam a aprender a arte de costurar.”

E foi a uma janela desta casa que viu pela primeira vez aquele que viria a ser o seu marido.

“É verdade, sim senhor. E eu já conto como foi, mas antes quero dizer que tinha muito jeito para cantar e gostava de representar. E em solteira, ainda moça, cantei muitas vezes em festas. Já por essa altura, e quando comecei a deitar corpo, a minha mãe levava o tempo a avisar-me: - Mariana, minha filha, vê lá, tem cuidado, olha que os rapazes são maus e quando eles pedem um beijo isso já não é bom sinal. E aquelas palavras, de tantas vezes repetidas, não me saíam da cabeça.”

Mas vamos lá então a saber como é que começou o namorico:

“Um dia, estava eu à janela da minha tia com uma prima e vi passar um rapaz todo jeitoso, com umas formas de sapateiro e disse para a minha prima: - É com aquele rapaz que eu hei-de casar. E ela respondeu-me: - És parva, rapariga, então tu não o conheces, nem sequer sabes se é solteiro ou casado e estás a dizer uma coisa dessas… “

Mas não desistiu da ideia:

"Eu continuei na minha e a verdade é que passado pouco tempo já estávamos a namorar. Ele tinha uma sapataria mesmo em frente da janela da minha tia e, então, a troca de olhares começou e o resultado foi o que se viu.”

E o namoro lá foi correndo normalmente, segundo os padrões da época.

“Apesar de tudo, eu tinha sempre presente o aviso da minha mãe. Um dia o João, que sempre me respeitou, pediu-me: dá-me um beijo, Mariana. Lembrando-me do que a minha mãe me dissera tantas vezes, fugi a chorar e fui contar à minha tia que o meu namorado me tinha pedido um beijo. E ela respondeu-me: - Oh rapariga, então estás a chorar por causa de uma coisa dessas? Não há mal nenhum nisso. É uma coisa natural.”
         
E então…"Ele durante muito tempo nunca mais me falou em tal. Só mais tarde surgiu uma oportunidade e, aí, já não recusei. Passado algum tempo, teria eu vinte e tal anos, finalmente casámos e durante todo este tempo decorrido fomos sempre muito amigos e felizes. Mas os anos não perdoam e com o avançar da idade e com o facto do meu marido estar todo o dia na sua loja, ali na Avenida Gago Coutinho, a minha filha receava a situação de eu estar todo o dia sozinha em casa. Então, com o nosso consentimento, tratou das coisas e depois de algum tempo a receber “Apoio Domiciliário” entrei finalmente para o “Centro de Dia” do Abrigo. Foi uma decisão acertada porque sou aqui bem tratada e gosto de cá estar.”

E como ocupa os seus tempos? Faz parte do grupo coral ou do grupo de teatro, uma vez que nos disse que eram duas artes que apreciava?

"Não faço porque quando me comprometo com qualquer coisa não gosto de faltar e tenho receio de uma vez ou outra não poder corresponder ao compromisso assumido. Mas já este ano participei em duas actividades que aqui se realizaram: na “Queima do Boneco” e num desfile carnavalesco onde me apresentei vestida de “Minie”. Foram experiências engraçadas.”
        
Chegara ao fim a nossa breve conversa. Desejamos à D. Mariana que vá tendo saúde e a boa disposição se mantenha.
            

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

O CARNAVAL NO ABRIGO

… E O COMPADRE E A COMADRE
LÁ FORAM PARA OS ANJINHOS !

O destino já estava traçado. A condenação era certa e sabida.

Tanta malvadez, maledicência, intriga e bisbilhotice não podia acabar bem. E na manhã do dia 12 de Fevereiro, a justiça funcionou, a sentença foi ditada e o castigo, curiosamente em período de muito frio, não podia ser mais quente.

 Há muito condenados pela sabedoria popular, a comadre e o compadre aceitaram a pena que lhes foi imposta: morrerem na fogueira.


 Um grupo de ceifeiras, ao som e ritmo de uma moda alentejana, levou para a praça pública o compadre, que retratava este ano o nosso Salvador Boleto. Por sua vez, os ganhões transportaram a comadre, que fazia alusão à nossa Angelina Merendeira.


Colocados perante as evidências, restou ao compadre e à comadre lerem publicamente os seus testamentos, em dezenas de quadras que contemplaram utentes, funcionários e funcionárias, médico, enfermeiras e demais colaboradores.

E nunca uma cerimónia, que teria tudo para ser triste, se realizou ao som de uma concertina e perante palmas e gargalhadas do imenso público que enchia o anfiteatro onde se realizava a sessão.


E, claro, a sentença foi cumprida. Regadas com gasolina, as duas figuras foram pasto das chamas, num castigo exemplar que a sua conduta bem merecia.


Todo o elenco artístico do Abrigo colaborou activamente, estando como habitualmente, por detrás de toda a encenação, o talento de Céu Mestrinho e José Manuel Brejo, que também escreveram os versos.

E aqui fica o aviso: não se portem bem e para o ano haverá mais duas vítimas.

            

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

CARNAVAL 2015

O ABRIGO DEU O EXEMPLO
        
Quem diz que o Carnaval é só para a juventude, teria ficado surpreendido (ou nem por isso) com a jovialidade com que os utentes do Abrigo dos Velhos Trabalhadores deram o mote exactamente uma semana antes da Terça-Feira Gorda.

Era também terça-feira, mas dia 10, e logo depois do almoço era visível a azáfama com que os figurinistas e os foliões preparavam o desfile que haveria de acontecer cerca das 15 horas no interior das nossas instalações, já que lá fora o frio não permitia grandes fantasias.

Sob a direcção de José Manuel Brejo e de Céu Mestrinho, que também foi a responsável pelo variado e bem concebido guarda-roupa, um grupo de utentes deu forma a uma ideia que mobilizou também Responsáveis, Tecnicas e Funcionárias da Instituição.


E porque cada imagem vale mais do que mil palavras a seguir damos nota das figuras retratadas em cada máscara e dos nomes de quem lhes deu vida. A ordem é apenas a do desfile:

Palhaço – Joaquim Martins
Dama das Camélias – António Menino
Casal Cigano – Rogério Arraiolos (cigano) e Salvador Boleto (cigana)
Minie – Mariana Salgueiro
Pirata – Joaquina Quinta
Segurança – (António Henrique Pereira
Mecânico – Isidoro Grulha
Casal Chinês –António Lopes (chinês) e Joaquim da Cabrela (chinesa)
Pedintes –Otília Brejo e Francisco Tira-Picos
Condeça de Valenças – Joaquina Peixe
Padres das Freguesias – Micaela Barreiros e Vitória de Jesus
Palhaço pobre – José Grulha
Guarda-redes – António Gordo
Tendeira – Rute Borla
Mãe de Santo – Albina da Visitação
Capuchinho Vermelho – Albertina Ferreira
Enfermeira – Basilissa Pernas
Médico – César Arraiolos
Trabalhadora rural – Rosária Baixo
Árabes – Narcisa Ferreira, Joaquina Adelaide e Manuel Parrochinha
Cozinheira – Maria Vicência Pastaneira
Freiras – Céu Mestrinho e Margarida Correia
Jardineiro – José Manuel Brejo
Robin dos Bosques – Florentina Lagartixo

Para seleccionar e premiar as três fantasias mais conseguidas, foi convidado um júri que, para o efeito, se deslocou directa e expressamente do Rio de Janeiro. Isolado numa sala de um dos hotéis locais, não foi fácil a escolha. Houve acesa discussão, registaram-se recuos e avanços nas escolhas mas, finalmente, os jurados acabaram por chegar a uma conclusão. Assim, perante a expectativa geral, já que estavam em causa valiosos prémios, foram anunciados os vencedores:

            1º - Casal de Ciganos
            2º - Casal de Chineses
            3º - Capuchinho Vermelho
           

Depois foi o baile e o inevitável lanche, que se foi prolongando pela tarde fora.

Mas os festejos carnavalescos não se ficam por aqui. Na quinta-feira, dia 12, vai haver a “Queima dos Compadres” e os nossos utentes também vão marcar presença no desfile pelas ruas da cidade que se realizará na tarde de Sábado, dia 14.

            

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

OS NOSSOS UTENTES

MANOEL  ELISEU

Com o final do ano a poucos dias de distância, entrevistámos um utente do Abrigo que, curiosamente, faz anos exactamente neste mês de Dezembro. Nasceu em 1920 e, portanto, acabou de fazer 94 primaveras, ainda que nem tudo na sua vida tenham sido rosas. Também lhe trouxeram alguns espinhos.
Foi casado durante 68 anos com Leonarda Maria, que veio a falecer em Fevereiro de 2011. Tem dois filhos, um com 71 anos e outro com 69.
Vamos saber alguns pormenores da sua história de vida:
“Nasci no Ciborro, lá fui criado e sempre vivi, com excepção de uns anos que estive emigrado em França e de uns outros em que trabalhei em Alhandra. Com a idade de 7 anos ingressei na primeira classe da instrução primária, vivia então na aldeia. Entrei no dia 7 de Outubro, mas nem cheguei a aquecer o lugar porque entretanto fomos viver para a herdade da Zambujeira, onde o meu pai era rendeiro. Um dia, ele foi à feira de Borba e comprou lá uma vara de cinquenta porcos para engorda. E aqui começaram os meus problemas escolares. Para que o meu pai pudesse tratar de todos os outros assuntos, pôs-me a mim, provisoriamente, a guardar os animais por breves períodos. Mas depressa o provisório passou a definitivo e, passados dois meses, já não havia escola. Para além disso, os meus pais tiveram 13 filhos, ao mesmo tempo estiveram vivos onze, e havia que dar comida àquelas bocas,  e todos os braços eram poucos para trabalhar. Estivemos nesta propriedade durante 33 anos e a família sempre ali trabalhou por conta do meu próprio pai.”

A adolescência já aí estava e, com ela…
“Com cerca de 19 anos começaram os namoricos. O primeiro namoro não resultou, mas logo na segunda tentativa conheci aquela que viria a ser a minha mulher. Mas, mesmo assim, o namoro teve fases que nem sempre foram fáceis, sobretudo enquanto estive na vida militar. Como não sabia ler nem escrever, as cartas que a namorada me enviava eram lidas e respondidas por um camarada de armas.”

Entretanto a tropa acabou e…
Pouco tempo depois de regressar à vida civil decidimos casar. Eu tinha 22 anos e a Leonarda tinha 16. Em Agosto de 1943, quando nasceu o primeiro filho, tinha feito os 17 anos em Maio.”

E trabalhou sempre por conta do seu pai ?
“Não. Em certo momento tornei-me independente e meti-me a seareiro por conta própria, ainda que na mesma propriedade da Zambujeira. Porém, como a renda que pagava era muito cara, isto é, um terço ou um quarto do valor da colheita, vi-me forçado a desistir ao fim de três anos. E a partir daqui fui obrigado a trabalhar no campo, nas mais variadas tarefas, por conta de outros patrões.”

Mas deu outras voltas …
Em 1964 tentei a minha sorte como emigrante, em França. Estive lá sempre sem a minha mulher e só vinha a casa uma vez por ano. Trabalhei duramente, sempre na agricultura, e sacrifiquei-me muito porque a minha ideia era a de amealhar o suficiente para comprar ou mandar construir uma casinha. Quando regressei, em 1968, tinha conseguido alcançar esse objectivo. E o regresso nessa altura foi apenas porque tinha cá os meus pais e os meus sogros e não podia abandoná-los.”

Mas ainda não ficou por aqui…
“Claro que não. Algum tempo depois, um meu irmão que  era encarregado de uma quinta, em Alhandra, convidou-me para ir para lá trabalhar com ele. E fui. De seguida, ainda em Alhandra, estive empregado uns quinze anos em diversas fábricas onde eram produzidos ou manuseados pesticidas e outros produtos com componentes químicas tóxicas, o que me arruinou a saúde e me obrigou a reformar-me por invalidez com 63 anos.”

Depois de ter vindo de França, nunca pensou regressar lá?
“Curiosamente, em 1975 fui chamado pelo meu antigo patrão em França, convidando-me a regressar. Garantia-me emprego não só para mim, como também para a minha mulher e para o meu filho. Estava na altura em Alhandra a trabalhar com o meu irmão e não aceitei.”

E como foi a sua vida depois de reformado?
“Fui sempre mexendo, mas algum tempo depois enviuvei e fiquei a viver com o meu filho mais novo que, com graves problemas de saúde, eu não podia abandonar. Porém, o meu filho mais velho, que é emigrante na Alemanha há mais de quarenta anos, regressou provisoriamente a Portugal e ao Ciborro para orientar o irmão e a casa onde vive. A minha saúde também se ia degradando e eu não queria ser mais  um peso para o meu filho. E assim, não tive outra alternativa senão a de pedir ajuda ao Abrigo, onde me encontro como residente há perto de dois meses.


Chegados ao fim da nossa conversa, aproveitamos a oportunidade para endereçar a todos os Utentes, Funcionários(as), Colaboradores(as), Voluntários(as), Membros dos Corpos Sociais e Leitores desta página, UM NATAL FELIZ e um NOVO ANO sobretudo com MUITA SAÚDE !!!


sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

A ESTRELA DE NATAL BRILHOU NO ABRIGO

E a tradição vai-se mantendo ano após ano.

No dia 16 de Dezembro, a Festa de Natal aconteceu, com a estrela anunciadora do nascimento de Jesus a brilhar no Abrigo dos Velhos Trabalhadores de Montemor-o-Novo.


Com uma versão absolutamente livre do conhecido conto tradicional, que relata a história de “A Cigarra e a Formiga”, adaptada por José Manuel Brejo, que também dirigiu e encenou a peça, contando com a preciosa colaboração de Céu Mestrinho, a sala encheu-se para ver os artistas. E estes deram o seu melhor, na expectativa de se encontrar entre a assistência algum agente artístico que propusesse um contrato chorudo.
Mas vamos dar conta das personagens e respectivos intérpretes:

Formiga – Leopoldo Gomes
Cigarra – Salvador Boleto
Mãe da Formiga – Otília Brejo
Mãe da Cigarra – Angelina Merendeira
Criado da Cigarra – Joaquim Martinho dos Santos
Outras Formigas – José Manuel Brejo, César Arraiolos e Narcisa Ferreira
Dona de Casa que persegue as formigas – Albina da Visitação
Guarda – Francisco Tira-Picos
Ofertantes:
       Joaquim Martins – 1 farinheira
      José Grulha: 1 pão de quilo
      António Lopes: 1 saco de trigo
      Angélica Ferro: 2 mantas
Estrela – Luísa Aldinhas
Virgem Maria – Rosa Cigarro
S. José – Manuel João Cigarro
Narradoras – Céu Mestrinho, Basilissa Pernas e Rosária Baixo


 Muito aplaudido, todo o elenco artístico agradeceu e deu lugar ao “Coral Cant’Abrigo”, sob a direcção do maestro André Banha, que brindou a assistência com um tema alusivo ao Natal.


Depois foi a distribuição das prendas, o lanche e no final um bailarico, onde alguns pares ainda puderam dar ao pé.

… E O ÊXITO REPETIU-SE

Mal seria que um espectáculo com aquela envergadura se limitasse a uma única sessão. Assim, logo dois dias depois subiu de novo à cena “A Cigarra e a Formiga”, agora no ginásio do Abrigo, cujo espaço permitia receber um maior número de  espectadores.
E foi uma sala esgotada que teve a sua oportunidade de apreciar o trabalho das actrizes e dos actores, onde pontifica o experiente Leopoldo. E para gáudio da assistência, a peça até meteu efeitos especiais.
No final da representação, muito ovacionada, também o “Coral Cant’Abrigo” dirigido por André Banha, contemplou os presentes com duas canções tradicionais e um tema natalício. Voltaram a ouvir-se fartos aplausos.


E assim terminou em beleza a manhã do dia 18 de Dezembro.
Parabéns a todos os intervenientes.
Na plateia, para além de gente da casa, podiam ver-se utentes do Centro Social e Paroquial do Ciborro, da Santa Casa da Misericórdia de Montemor-o-Novo, da Casa João Cidade e da Cercimor a quem, conforme informações recolhidas no final, o espectáculo agradou.

O Abrigo agradece a vossa presença e deseja a todos um Feliz Natal e que o Novo Ano nos traga muita saúde.